21 de fevereiro de 2018

Dez Livros com Personagens Leitores

Olá meu queridos amigos e amigas, tudo bem com vocês? Conheci um blog de literatura muito legal, o Literature-se, mantido pela Mellory Ferraz, ou como ela mesma prefere, Mell. Inclusive, ela está com um projeto Lendo Virginia Woolf, ler um livro por mês da autora. Mas, o que gosto mesmo são os vídeos que ela tem no youtube, e hoje assisti um, onde ela colocou cinco livros com personagens leitores. Gosto muito dessa temática e por isso fui pesquisar e inclui mais cinco.

 A personalidade literária de Flaubert, dotada de agudo senso crítico que o distanciou do exaltado gosto romântico da época, levou-o a tornar-se um dos maiores prosadores da França no século XIX. O romance "Madame Bovary" é a sua obra-prima. Baseado em fatos da vida real, o livro, que Flaubert levou cinco anos para escrever, causou forte impacto, a ponto de gerar o processo no qual o autor escapou de ser condenado à prisão, graças à habilidade da defesa, que transformou a acusação de imoralidade na proclamação das intenções morais e religiosas do autor. Nem moral, nem imoral, a narrativa é uma devastadora crítica das convenções burguesas do seu tempo.
 Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.
O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha”, obra prima de Miguel de Cervantes Saavedra, é sem sombra de dúvida o romance mais importante da literatura em língua espanhola. Grandes críticos, historiadores e leitores fizeram dele a segunda obra mais traduzida e editada do mundo, depois da Bíblia. Alonso Quixano, entregue ao delírio causado pela leitura excessiva de livros de cavalaria, sai pelas planícies espanholas para impor justiça, na companhia de seu fiel escudeiro Sancho Pança. A dupla então vive uma variada seqüência de aventuras e confrontos no limite entre a realidade e a fantasia, narrada por M.de Cervantes com malícia, compaixão e bom humor. Mais e menos que um símbolo, essa criatura da arte possui a profundidade e o relevo da vida real.
Hamlet, de William Shakespeare, é uma obra clássica permanentemente atual pela força com que trata de problemas fundamentais da condição humana. A obsessão de uma vingança onde a dúvida e o desespero concentrados nos monólogos do príncipe Hamlet adquirem uma impressionante dimensão trágica. Nesta versão, Millôr Fernandes, crítico contumaz dos "eruditos" e das "eruditices" que – nas traduções – acabam por comprometer o sentido dramático e poético de Shakespeare, demonstra como o "Bardo" pode ser lido em português com a poderosa dramaticidade do texto original. Aqui, Millôr resgata o prazer de ler Shakespeare, o maior dramaturgo da literatura universal, em uma das suas obras mais famosas.
O jovem poeta Lucien Chardon decide deixar o interior da França e viver em Paris para tentar se realizar profissionalmente: ele ambiciona se tornar escritor. Com a ilusão de conseguir viver dessa atividade, instala-se na capital com dois originais prontos debaixo do braço: um livro de poemas e um romance histórico.Lucien consegue emprego na imprensa diária e descobre que o compromisso com a ética e a verdade não é o forte dos jornalistas. Na França de 1820, a corrupção, o suborno, as trapaças políticas e as artimanhas jurídicas fazem parte da profissão. Publicado em 1843, o romance é uma das obras-primas da literatura universal. Além de um encarte de apoio pedagógico, a edição traz um apêndice com informações sobre o contexto histórico em que a obra foi escrita, sobre a escola literária a que pertence e sobre a vida do autor.

 Para Major Quaresma, a Pátria é um ideal que está acima de tudo. Visionário por excelência, suas ideias colocam-no em várias situações embaraçosas e levam-no até a ser internado em um manicômio.
Tímido, discreto, ingênuo, é também uma palha de pureza a navegar num oceano de podridão.
Este é um livro escrito com todos os nervos, mas principalmente com o coração, e que se destina a quantos tenham orgulho de ser brasileiros.
Eça de Queirós, considerado o maior romancista de seu país, inaugurou o Realismo em Portugal. O conjunto de sua obra, incluindo artigos e cartas, traça um panorama crítico da cultura e dos programas sociais e políticos de seu tempo. Seu estilo, que modernizou a prosa portuguesa, é límpido e preciso, e seu tom, cáustico e mordaz, desnuda os vícios da sociedade portuguesa do fim do século XIX. 'A cidade e as serras' é uma deliciosa sátira dos progressos ainda canhestros dos tempos modernos e reencontro do romancista com a paisagem de sua meninice. Vê-se também aí, no jogo dos contrastes, o apego nostálgico à essencialidade honesta da vida ainda natural e limpa do interior.
Ao perceber que a pequena Liesel Meminger, uma ladra de livros, lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. A mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade. A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História.
Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará para um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na alma obscura da cidade, A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em um homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura. Numa narrativa de ritmo eletrizante que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado de contínuo suspense. Ambientada na Espanha franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, A Sombra do Vento é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros.
"Sim, como veio tão bela! Perdera aquela brutalidade, aquele riso, aquele desleixo. Veio calma na sua marcha para a maternidade. Eutanázio abriu mais os olhos. Ninguém ficou na saleta.
Desejou passar a mão naquele ventre que crescia vagaroso como a enchente, com a chuva que estava caindo sobre os campos. Desejaria beijá-lo. Está vendo ali a criação, a Gênesis, a Vida. Via nela qualquer coisa de satisfeito, de profundamente calmo e de inocente. Não dava mostra nenhuma de sofrimento, nem de queixa nem de ostentação. Era como terra no inverno. Seu ventre recebeu o amor uma terra. Como a terra dos campos de Cachoeira recebia as grandes chuvas. Por isso ela já humilhava-o de maneira diferente. Tinha sido falada em Cachoeira, enganada, traída,e não mostrava senão a aceitação do filho como um triunfo. Tinha um filho, tinha um filho, seu ventre estava alto e belo. E ele no fundo da rede ia morrer sem aceitar a morte, sem ter aceitado a vida. Quando podia se reconciliar com ela, a serenidade daquele ventre humilhava-o, cobria-o de ridículo. Irene estava mansa, sorria para ele com um sorriso de ser fecundado, de criatura que renova em si mesma a vida. Irene restituíra-se a si mesma. O sorriso dela era manso e nascia de seu coração como luz de amanhecer. Quanto ele não souber sofrer! Morria miserável, ridículo,com aquele medo na entranha, nos ossos. Diante de Irene queria se encher duma coragem imensa para aceitar o seu destino. Irene era o Princípio do Mundo. As grandes chuvas lhe traziam o filho. Seus peitos cresciam, se enchiam de leite como os das vacas. Ela era tão magnificamente animal, que em seu rosto calmo, em seu ventre, em suas mãos só havia inocência, a inocência de todo o mistério criador. Só ela era a vida! Só ela era a vida!"
“Um Noé desconhecido. Um livro estupendo. Vieram juntos do Pará, trouxeram aquela gente, aquelas paisagens, a vida de um pedaço do Brasil – a vida vivida. A fôrça de Dalcídio Jurandir está realidade que ele foi encontrando em longas viagens pelo interior, no contato da sua juventude com a natureza e as criaturas presas a ela. Não é um autor que escreve. É um homem que fala.”
- Álvaro Moreyra, poeta, cronista e jornalista.
“Uma Obra da maior importância pelo conteúdo humano e a denúncia de uma determinada situação social.“
- Herberto Sales, jornalista e escritor.






14 de fevereiro de 2018

Helena Kolody - Biografia


Helena Kolody nasceu nasceu na cidade de Cruz Machado, no Paraná, no dia 12 de outubro de 1912. Filha de imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil, com um ano de idade se mudou com a família para o município de Três Barras do Paraná, onde ela morou até os oito anos de idade. Em seguida, a família se muda para a cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário, estudou piano e pintura.Com 12 anos escreveu seus primeiros versos. Em 1928, com 16 anos, tem seu poema "A Lágrima" publicado na revista Marinha, de Paranaguá, a maior divulgadora de sua obra. Nesse mesmo ano, ingressou na Escola Normal de Curitiba (atual Instituto de Educação do Paraná). Em 1931, já formada, foi nomeada professora do Grupo Escolar Barão de Antonina, de Rio Negro. Entre 1933 e 1937 trabalhou na escola de Ponta Grossa. Em seguida foi transferida para a Escola Normal de Curitiba, onde lecionou por 23 anos. Em 1941, Helena Kolody publicou seu primeiro livro "Paisagem Interior", dedicado ao seu pai, Miguel Kolody, que faleceu dois meses antes da publicação. A obra foi classificada em segundo lugar no concurso de poesia realizado pela Secretaria de Homens de Letras do Rio de Janeiro, em 1942. A partir de 1944, prestou serviços na Escola de Professores de Jacarezinho. Em 1941, escreveu seus primeiros haicais, sendo criticada, por não ter rima, mas continuou publicando essa forma de poesia. Em 1949, o livro "A Sombra do Rio" recebeu o terceiro lugar no concurso de livros do Centro de Letras do Paraná, e o Prêmio Ismael Martins. Em 1951 o livro foi publicado pelo Centro de Letras. Grande parte de sua vida foi dedicada à poesia, sua obra teve grande repercussão no cenário literário brasileiro, foi reconhecida por grandes escritores de seu tempo, como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles e Paulo Leminski. Em 1985, Helena Kolody recebeu o Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba. Em 1988, foi criado o "Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody", realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná. Em 1989, o Museu da Imagem e do Som do Paraná gravou e publicou um depoimento da poetisa. Em 1991 foi eleita para a cadeira nº 28 da Academia Paranaense de Letras. Em 2003, Helena recebeu o título de "Doutora Honoris Causa", pela Universidade Federal do Paraná. Em 2012 a Secretaria de Cultura do Paraná em conjunto com a Biblioteca Pública do Paraná, criaram a revista literária Helena, uma justa homenagem à poetisa Helena Kolody e também à civilização helênica, berço da produção cultural do ocidente. A poetisa Helena Kolody faleceu no dia 15 de fevereiro de 2004, em Curitiba.

Obras:

- 1941 - Paisagem Interior;
- 1945 - Música Submersa;
- 1951 - A Sombra do Rio;
- 1962 - Poesias Completas;
- 1965 - Vida Breve;
- 1966 - Era Espacial/Trilha Sonora;
- 1967 - Antologia Poética;
- 1970 - Tempo;
- 1977 - Correnteza;
- 1980 - Infinito Presente;
- 1983 - Poesias Escolhidas;
- 1985 - Sempre Palavra;
- 1986 - Poesia Mínima;
- 1988 - Viagem no Espelho;
- 1991 - Ontem, Agora;
- 1993 - Reika;
- 1994 - Sempre Poesia;
- 1996 - Caixinha de Música;
- 1997 - Luz Infinita;
- 1997 - Sinfonia da Vida;
- 1997 - Helena Kolody por Helena Kolody (CD Coleção Poesia Falada);
- 2002 - Poemas do Amor Impossível;
- 2002 - Memórias de Nhá Mariquinhas (prosa).


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