12 de novembro de 2018

Anne de Green Gables - Lucy Maud Montgomery

Olá meus queridos amigos e amigas, tudo bem com vocês? Hoje vou fazer a resenha de um livro que amei ter lido e recomendo muitíssimo a todos. Há tempos um livro não me prendia tanto como esse, de dar gosto de ler e não querer parar mais. Estou falando do livro Anne de Green Gables. Lindo, maravilhoso e outros adjetivos mais. O primeiro contato que tive com esse livro foi através de outro livro: Conversando com Mrs. Dalloway, de Celia Blue Johnson. Esse livro fala sobre a inspiração por trás dos grandes livros de todos os tempos, e Anne Green Gables estava contido nele. E mais do que rápido, fui procurar saber sobre essa história e logo meu apaixonei pela personagem. Ao todo são sete volumes da série, e eu já garanti os quatro primeiros volumes: Anne de Green Gables, Anne de Avonlea, Anne da Ilha e Anne de Windy Poplars. Os livros serviram de base para várias adaptações cinematográficas e televisivas, como a que foi apresentada pela Netflix, Anne With "E". Não assisti para não tirar o encanto do livro, que é muito mais completo e rico em detalhes. Agora, sem mais delongas, vamos à resenha.
 

Título: Anne de Green Gables

Autor do livro: Lucy Maud Montgomery

Editora: Martins Fontes

Nº de páginas: 480

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...
A menina ruiva, sentada debaixo de uma árvore lendo seu livro.

O livro é sobre...
Uma menina órfã que foi adotada por engano por um casal de irmãos.

Eu escolhi esse livro porque...
Fazia tempo que queria ler e como desafio pessoal.

A leitura foi...
Apaixonante do começo ao fim.
 Série da Neftlix, baseada no livro de Lucy Maud Montgomery


 
O trecho do livro que merece destaque:
“Em Avonlea e fora dela, não faltavam pessoas que, para bisbilhotar os vizinhos, deixavam de cuidar da própria vida; mas a Sra. Rachel Lynde era uma daquelas criaturas eficientes que conseguiam cuidar dos próprios assuntos e, de lambuja, meter-se também nos dos outros. Era uma dona de casa notável: fazia sempre seu trabalho, e o fazia bem; ‘organizava’ o Clube de Costura e ajudava a dirigir a escola dominical, além de ser o principal sustentáculo da Sociedade Beneficente da Igreja e da Assistência às Missões Estrangeiras. E, mesmo com tudo isso, a Sra. Rachel ainda arranjava tempo para passar horas sentada à janela de sua cozinha, tricotando colchas de ‘chenile’ – já fizera dezesseis delas, como as donas de casa de Avonlea, admiradas, costumavam contar – e vigiando atentamente a estrada principal que cruzava a valeira e que depois subia e contornava a colina íngreme e3 vermelha um pouco mais adiante. Como Avonlea ficava numa pequena península triangular que invadia o golfo de São Lourenço, e via-se cercada por água dos dois lados, quem saísse ou entrasse era obrigado a passar pela estrada da colina e enfrentar o crivo invisível do olhar onividente da Sra. Rachel.” – pág. 18.
“- Você é tão-somente Anne de Green Gables – ela disse, com seriedade -, e é você quem vejo, exatamente como agora, toda vez que tento me imaginar como lady Cordelia. Mas é milhão de vezes melhor ser Anne de Green Gables do que Anne de lugar nenhum, não é mesmo?” – pág. 101.
A nota que eu dou para o livro:
"Em seu quarto, Montgomery tinha pendurado o retrato de uma modelo recortado numa revista. A adolescente projetava o olhar para fora da fotografia, mirando à distância com a cabeça reclinada, o que ressaltava o nariz anguloso e os lábios pequenos e delicados. Dois grandes crisântemos pendiam de uma fita que repousava em sua testa, dando-lhe a aparência de uma fada vinda de longe. A escritora canadense com frequência contemplava a imagem, tentando imaginar se a modelo acaso se daria conta de que havia desempenhado um papel importante na criação de Anne. Montgomery encontrara a fotografia num exemplar da revista Metropolitan. A jovem era a beldade ruiva Evelyn Nesbit, modelo famosa na virada do século, que se tornou a encarnação de Anne de Green Gables." Livro Conversando com Mrs. Dalloway, de Celia Blue Johson, pág. 209, sobre como Lucy Maud Montgomery encontrou inspiração para escrever seu famoso livro Anne de Green Gables.



Nota:
5 – Amei

Sobre a autora: Lucy Maud Montgomery, mais conhecida como L. M. Montgomery, nasceu em 1874, foi uma escritora canadense, autora de uma série de romances que teve início como Anne de Green Gables, em 1908. A personagem principal Anne Shirley, uma garota órfã, tornou a autora famosa na época, dando-lhe, inclusive, destaque internacional. O primeiro romance foi seguido por uma sequência de sete livros em que a personagem Anne é protagonista. As obras serviram de base para inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas, como a atual série da Netflix, Anne With “E”. Lucy Maud Montgomery faleceu em 1942.

Este livro é para os desafios:

 


7 de novembro de 2018

Newton Sampaio - Biografia

Newton Sampaio nasceu em Tomzina, no Paraná, em setembro de 1913. Foi médico, ensaísta, escritor e jornalista. É considerado um dos mais importantes contistas paranaenses sendo o precursor do conto urbano moderno. O adolescente Newton Sampaio transferiu residência em 1925, saindo da pequena Tomazina para estudar no Ginásio Paranaense, em Curitiba, e precocemente, passou a lecionar nesta instituição, além de colaborar para alguns jornais da Capital paranaense, principalmente o "O Dia". Ao ser admitido na Faculdade Fluminense de Medicina, transferiu-se para a cidade de Niterói. Após formado em Medicina, permanece na Capital do país, porém, com a saúde bastante abalada, retornou a Curitiba e em seguida internou-se em um sanatório na cidade da Lapa onde faleceu no dia 12 de julho de 1938, aos 24 anos. Duas semanas após o seu falecimento, recebeu o Prêmio Contos e Fantasias (em sua primeira edição) concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Irmandade. Newton Sampaio pertenceu ao Círculo de Estudos Bandeirantes de Curitiba e como homenagem ao jovem modernista, um dos principais prêmios de contos do Brasil leva seu nome: Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio.

Obras:

Romance
- Trapo: trechos publicados em jornais e revistas;
- Dor: publicado, incompleto, no periódico Correio dos Ferroviários.

Novela
- Remorso (1935);
-  Cria de alugado (1935).

Contos
- Irmandade (1938), premiado pela Academia Brasileira de Letras;
- Contos do Sertão Paranaense (1939);
- Críticas, reportagens e entrevistas;
- Algumas vozes do Brasil;
- Reportagem de Ideias: contos incompletos;
- Uma Visão Literária dos Anos 30.

2 de novembro de 2018

Gráfico da Semana


Novembro é o décimo primeiro mês do ano no calendário gregoriano, tendo a duração de 30 dias. Novembro deve seu nome à palavra latina novem (nove), dado que era o nono mês do calendário romano, que começava em março.


31 de outubro de 2018

"Vai, Carlos, ser Molestado na Vida"

Carlos Drummond de Andrade era uma figura que todo mundo queria entrevistar, e ele, evidentemente, não se deixava entrevistar. Com a proximidade de seu aniversário, eu comecei a telefonar para a casa dele e ele atendia e falava: "Ah, tudo bem." Conversa, não sei o quê... aí chegava o momento crucial: "Drummond, olha, a gente queria fazer uma entrevista com você." Pronto, começava a tossir: "Cof, cof, cof. Estou muito doente, não estou podendo." E desligava o telefone. Uma vez, duas vezes, três vezes. Eu falei para o editor, que na época era o Humberto Vasconcelos, que já morreu, até: "Eu vou tentar, você me dá um tempo?' E ele me deu, porque isso era uma característica do Caderno B, confiar nos repórteres, dar tempo para investigação, para apuração.
Um belo dia, já com o endereço, eu saio... com a roupa que a gente usava mesmo. Peguei uma prancheta... não sei o que é que me deu, peguei uma prancheta e uma caneta BIC e cheguei lá no prédio onde o Drummond morava, na Conselheiro Lafayette, 60, em Copacabana, falando comigo mesma: "Eu vou subir." O máximo que podia acontecer era um guarda costas me atirar pela janela, né? Mas a gente tinha que tentar. Aí toquei a campainha, abre a porta o próprio Drummond. Eu fiquei apavorada, tão espantada que fiquei olhando para a cara dele. "Ah, já sei, você é uma estudante que veio conversar comigo, entra aqui." Abriu a porta e eu adentrei o apartamento.
"Senta aqui, eu vou trazer um chocolatinho pra você." Trouxe chocolate, conversou por quase duas horas, papo maravilhoso, e eu perguntava algumas coisas muito timidamente, porque fiquei mesmo em estado de choque.
Norma (a repórter que entrevistou o poeta) voltou para a redação e contou a Humberto Vasconcelos sua façanha. O editor perguntou:
- Você anotou?
- Anotei muito pouco, para ele não perceber que eu era jornalista.
- Então senta e escreve para não esquecer.
- Mas, Humberto, eu não posso publicar essa matéria. Não posso fazer isso com o Drummond, eu faria se fosse com o Newton Cruz, mas com o Drummond?
- Escreve para você guardar e me dá para eu ler.
Norma escreveu. E Humberto mandou direto para a oficina a matéria que foi, sim, publicada dois dias mais tarde, em 31 de outubro de 1977, exatamente no dia do aniversário de Drummond, na capa do Caderno, com direito à chamada na primeira página. Escreveu um texto primoroso, com a feliz ideia de entremeá-lo com trechos muito bem selecionados de poesias do entrevistado à revelia. Abria se desculpando. Mas não precisava. Ao lado da abertura fantástica, a entrevista - com perguntas e respostas que revelam a memória impressionante da "estudante" - demonstrava que o poeta gostara da conversa...
A matéria, ilustrada por fotos de Luiz Carlos David, se encerrava assim: Mas desde 1930, quando lançou seu primeiro livro - e ele tem muitos - Drummond perdeu o direito de não ser publicado, uma predição que seu anjo torto não incluiu. Ainda que a culpa de violentá-lo seja tão grande que seus próprios versos sejam usados como desculpa. Ainda que mal pergunte; ainda que mal respondas; ainda que mal te entenda; ainda que mal repitas; ainda que mal insista; ainda que mal desculpes; ainda que mal me exprima; ainda que mal me julgues...
E o que vale uma entrevista
se o que não alcança a vista
nem a razão aprende
é a verdadeira notícia?

*Newton Cruz que Norma não teria vergonha nem mágoa de enganar para entrevistar era ele mesmo, o então (e até praticamente o fim da ditadura) chefe da Agência Nacional do SNI (Serviço Nacional de Informações) o comando dos órgãos de repressão do regime militar.

Fonte: Livro "Jornal do Brasil - História e Memória", da jornalista Belisa Ribeiro.
Capítulo 5 - Cultura não é adereço: o Caderno B, entrevista feita pela jornalista Norma Couri, com fotos de Luiz Carlos David.

Sobre o poema citado no jornal:

Ainda que Mal

Ainda que mal pergunte;
ainda que mal repondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'
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