1 - Todas as pessoas são iguais perante um livro;
2 - Todas as pessoas têm o direito de ler;
3 - A saber, onde quiserem e como quiserem; Umberto Eco aconselha quem precisa adquirir o hábito de ler regularmente a começar pelo banheiro. Em primeiro lugar, você estará a sós ali e, em segundo, está muito próximo de seu "eu interior". Alberto Mnaguel defende a cozinha ou o sótão, e muitos críticos de cadernos de cultura dos jornais declaram que leem obras que vão criticar sempre devidamente trajados e sentados à escrivaninha; somente leitura privada seria permitida na cama. Em princípio, a leitura é permitida em todos os lugares, mas, por mera formalidade, fica o alerta quanto a leituras em banheiras (umidade), ao cozinhar (dedos engordurados) ou em montanhas-russas (risco de perder os óculos de leitura). E deve-se notar que as lâmpadas de leitura não devem ser muito claras; os olhos leitores gostam de penumbra;
4 - Qualquer um pode pular capítulos, ler um livro várias vezes, conferir o final para ver se termina bem e ir e voltar como quiser;
5 - Nenhum livro precisa ser lido até o fim. Os esforços para se chegar lá e o sentimento de culpa associado são nobres, mas o pior é mentir descaradamente para um livro dizendo gostar dele quando já não for o caso;
6 - Toda pessoa pode não ter desejo, necessidade ou interesse em ler (mais). Cada um tem direito à própria infelicidade e à própria felicidade;
7 - Qualquer livro pode ser lido. Ninguém precisa julgar o que o leitor está lendo;
8 - Livros próprios podem ser rabiscados, anotados, sublinhados, marcados e salpicados de migalhas;
9 - Marcadores de página estão acima de quaisquer julgamentos. Cantos de página dobrados não são expressão de um caráter reprovável. Os livros querem ser usados, tocados, absorvidos pelo cotidiano e pelo ser. Isso inclui folhas secas, tíquetes, cartões-postais, cupons e notas de dinheiro que perderam há muito a validade;
10 - Ninguém é obrigado a elogiar livros dados de presente;
11 - Ninguém precisa falar sobre suas leituras;
12 - Livros apreciados por muitos não são apreciados por todos;
13 - Quem lê muito não vale mais do que quem lê pouco ou não lê;
14 - Críticas e resenhas dizem mais sobre o autor ou a autora da crítica ou da resenha do que sobre o livro;
15 - O que o autor ou autora quis dizer raramente tem a ver co uma interpretação feita em sala de aula;
16 - Você pode chorar, rir, ficar calado ou ficar com raiva, porque o livro é o lugar da liberdade total.
Fonte: livro A Fantástica Farmácia Literária de Monsieur Perdu, de Nina George. Capítulo 28, págs. 244/245.

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